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25/12/2013

Você sabe usar a soja e seus derivados na alimentação animal?

O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de soja no mundo. Segundo a USDA (United States Department of Agriculture - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na safra 2012/2013 a produção de soja americana foi estimada em cerca de 80 milhões de toneladas, enquanto aqui no Brasil, a produção ficou estimada em 81,50 milhões de toneladas. Com isso é possível notar a importância que essa cultura tem na economia brasileira.

Os grãos de soja, dentre as oleaginosas, são os mais utilizados na nutrição animal. Isso ocorre devido a sua riqueza nos teores de proteína bruta, por volta de 40%, e nos teores de óleos, por volta de 20%. Juntamente ao alto valor protéico, vale lembrar que seu balanço de aminoácidos é excelente e, por isso, é considerada como o mais adequado suplemento protéico vegetal disponível.

Na indústria a soja recebe a denominação de complexo soja. Esse complexo é formado basicamente pelos grãos, pelo óleo e pelo farelo. Esses dois últimos são obtidos através do processamento dos grãos, que têm grande importância no consumo in natura e de seus derivados. Já o óleo tem grande importância por apresentar baixo valor de mercado e alta qualidade culinária, além de poder ser usado como biodiesel. Por último, apresenta-se o farelo de soja, de extrema importância na alimentação animal por seu alto teor de proteínas primárias, tanto para os animais monogástricos quanto para os ruminantes. O farelo ganhou mais importância nos últimos anos por ser um possível substituto de ingredientes de origem animal em rações, os quais podem transmitir doenças, principalmente o mal da vaca louca.

No entanto, deve-se entender que, ultimamente, o farelo de soja tem influenciado demais na alta dos preços de produtos pecuários, principalmente na carne, visto que é um alimento facilmente digestível e muito usado na alimentação de aves e suínos, atividades que concorrem na demanda do produto com a bovinocultura. Em vista disso, a pesquisa busca alternativas para a alimentação dos ruminantes. Juntamente ao farelo, outros subprodutos do processamento dos grãos podem ser utilizados, como a casca de soja e a torta de soja.

A cadeia de produção de soja está intimamente ligada à cadeia de produção avícola e suinícola devido ao fato desta proteoleaginosa apresentar proteínas com alto valor biológico, ou seja, aquelas que apresentam um balanço equilibrado de aminoácidos essenciais. Além do que, não há ainda um produto que possa substituí-la para a nutrição destes monogástricos com o mesmo custo. Vale ressaltar, ainda, que essas duas categorias animais consomem dois terços da produção mundial de soja.

O farelo de soja é o produto resultante da extração do óleo dos grãos. No processamento dos grãos podemos obter três tipos de farelos, divididos pelo teor de proteína bruta presente na massa. O farelo pode ter 44, 46 ou 48% de proteína. O que define essas diferenças é a adição de casca de soja, que homogeniza e define o teor relativo de proteína. O primeiro teor tem mais casca de soja incorporada e homogenizada à massa e o ultimo menos casca incorporada e homogenizada.

Outros dados importantes sobre sua composição química são: ter no máximo 12,50% de umidade, 1,00% de extrato etéreo, 6,00% de fibra bruta e 6,50% de material mineral. Esses valores estão especificados na portaria nº 795 de 15/12/1.993 do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Com relação aos ruminantes, o farelo é considerado o melhor suplemento protéico, sendo melhor até que o grão de soja moído. Isso se dá pelo alto teor de proteína e baixo de óleo. Já para suínos e aves, é considerado o suplemento protéico mais eficiente, desde que suas deficiências em cálcio, fósforo, vitaminas e metionina (aminoácido) sejam corrigidas.

É importante ressaltar que tanto os grãos de soja quanto seus subprodutos devem ser tostados para que sejam desnaturadas algumas proteínas que têm efeito nocivo aos animais. Estudos mostram que a utilização da soja e de seus subprodutos na nutrição são efetivos quando são submetidos ao calor com intensidade máxima num curto período de tempo. Esse fato ocorre principalmente na nutrição dos monogástricos. Estes compostos nocivos podem causar problemas aos animais como diminuição do crescimento por inibição da digestão protéica, diminuição na absorção dos nutrientes, efeitos deletérios sobre as microvilosidades do intestino delgado, redução na postura das aves, redução de fertilidade, entre outros.

A casca de soja, como supracitado, é utilizada na alimentação de ruminantes por ter custo menor que o farelo de soja. Pode ser fornecido também em suplementação quando se dá a falta de uma pastagem com um bom valor nutricional, assemelhando-se ao feno quanto ao teor de fibra. No caso de um confinamento bovino, a casca de soja é ótima para o fechamento na formulação de rações e no barateamento destas. A composição bromatológica da casca de soja é basicamente: 13,00% de proteína bruta, 2,50% de extrato etéreo, 34,50% de fibra bruta e 3,76% de cinzas.

A importância da cultura da soja é indiscutível, visto que é classificada como o mais importante suplemento protéico devido ao seu equilibrado balanço de aminoácidos. Caso haja dúvidas na utilização desses produtos na alimentação animal, deve-se procurar a assistência de um profissional especializado, que poderá fazer a formulação das rações e otimizar a utilização desta excelente fonte protéica.

PAULO ARARIPE
Engenheiro Agrônomo – USP/ESALQ
ARARIPE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA

LUCIANO ALVES DE OLIVEIRA
Engenheiro Agrônomo – USP/ESALQ





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