28/01/13

CONTROLE BIOLÓGICO DE CIGARRINHA DAS PASTAGENS

A cigarrinha das pastagens é uma praga que ataca plantas forrageiras e causam muitos danos, diminuindo a produção e qualidade do pasto, prejudicando o desempenho dos animais e consequentemente a rentabilidade da atividade. Existem várias espécies de cigarrinhas que atacam tanto pastagens, como milho, cana-de-açúcar e arroz, e a identificação de cada espécie é feita pela cor e tamanho dos insetos adultos


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Figura 1:  Principais cigarrinhas das pastagens (inseto adulto) que ocorrem no Brasil. (1 e 2 - Deois flavopicta; 3 - Notozulia entreriana; 4 - Mahanarva fimbriolata)

As cigarrinhas são dependentes de um ambiente úmido para viver. Durante o ano ocorrem, normalmente, três picos na população desses insetos, podendo chegar a cinco, dependendo das condições do clima. Esses picos se estendem de outubro até abril, acompanhando o período chuvoso no Brasil Central. O primeiro ocorre geralmente no mês de novembro, o segundo do final de janeiro e começo de fevereiro e o terceiro em março e abril.

Durante o ciclo das cigarrinhas os ovos eclodem e dão origem a forma juvenil do inseto (ninfa), que depois se transforma no adulto. As fases que causam dano para as plantas são as ninfas e os adultos, que sugam a seiva da planta e injetam uma toxina que diminui ainda mais o desempenho da pastagem.

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Figura 2: Ciclo biológico das Cigarrinhas das Pastagens e ninfas atacando as plantas.

A diferença entra a ninfa e o adulto é que a ninfa vive na base da planta, onde fabrica a espuma branca para proteção e pode ser facilmente identificada, enquanto o adulto tem asas e vive nas folhas. Quando ocorre infestação o pasto se apresenta amarelado e com pouco crescimento, mesmo na época chuvosa. Uma infestação de 20 ou mais insetos por metro quadrado pode reduzir em até 50% a capacidade de suporte da pastagem, dependendo da espécie do capim.

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Figura 3: Danos causados pelos adultos das cigarrinhas. Inicialmente listras cloróticas (a), evoluindo para necrose (b), morte das folhas (c), pastagem totalmente comprometida (d).

O controle da praga pode ser feito de várias maneiras, como os já comentados em outros artigos aqui no Portal Kleffmann. Por exemplo, podemos usar inseticidas, capins resistentes e controle biológico.

O controle biológico ainda não é muito comum em pastagens, mas em cana-de-açúcar é bastante utilizado para controlar as cigarrinhas. O controle biológico consiste no uso de um ser vivo para controlar a população de outro. No caso das cigarrinhas o controle pode ser feito por pássaros, aranhas, insetos predadores, entre outros, mas comercialmente os fungos são os mais utilizados. Mais especificamente o fungo Metarhizium anisopliae.

Existem vários laboratórios no Brasil que produzem esporos (estrutura que infecta o inseto) desse fungo. Alguns produtos comerciais são: Metanat PM, Metarril e Metarriz Biocontrol, e ainda existem produtos de laboratórios menores que não tem nome comercial, mas são facilmente encontrados na internet e lojas agropecuárias, normalmente nas formas de pó-molhável. O preço dos produtos é muito variável, mas consideravelmente menor do que o preço dos inseticidas indicados para o controle das cigarrinhas.
O uso de controle químico ou do próprio fungo deve ser realizado de acordo com o número de insetos adultos ou ninfas na pastagem. O nível de controle não está estabelecido, mas é muito comum o controle ser feito quando ocorrem entre 10 e 15 ninfas por metro quadrado de pasto. A amostragem é feita com um quadrado de 50 x 50 centímetros feito de ferro ou madeira, coletando no mínimo 5 pontos para cada 10 hectares.

O fungo apresenta uma faixa muito variável de controle, de 10% a 60%, pois normalmente são aplicados em horários e temperaturas inapropriados e muitas vezes abaixo da dose necessária.

A recomendação é utilizar 5,0 x 1012 conídios por ha (cerca de 500 gramas de conídios puros). Conídio é a parte do fungo que infecta o inseto. O volume de calda utilizado varia de 200 a 300 litros por ha, sendo que a calda deve ser preparada imediatamente antes da aplicação. A aplicação deve ser feita no final da tarde ou em dias nublados, com temperatura perto dos 25ºC e o pasto deve ser mantido numa altura de 25 a 40 centímetros. Se essas condições do clima e do pasto forem mantidas, o fungo pode, teoricamente, permanecer mais tempo na pastagem controlando a praga. Nesse processo devemos utilizar um pulverizador com agitação da calda, senão a aplicação não é eficaz.

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Figura 4: Cigarrinha atacada pelo fungo.

O controle por meio do fungo tem algumas vantagens em relação ao controle químico, como o menor custo por área, permite que os animais fiquem no pasto (não é tóxico para eles) e não causa problema para o ambiente. Mas a vantagem mais importante é que o fungo consegue matar as ninfas e o químico não. Isso ocorre devido a espuma branca que impede que o inseticida chegue no inseto, matando só os adultos. O fungo consegue atravessar a espuma e matar as ninfas, e consequentemente, diminuir o número de adultos na geração seguinte, reduzindo os danos a pastagem.

Lembramos que o controle biológico é uma alternativa de controle e, para o manejo correto da praga, devemos levar em conta todos os tipos (químico, biológico, cultural e genético). Além disso, a opinião de um técnico capacitado para região, conhecedor da praga e da propriedade é indispensável para a recomendação de qualquer técnica.

 

ÉTORE MASCHIO
Engenharia Agronômica - USP/ESALQ
ARARIPE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA

EDUARDO STELLUTTI PACHIONI
Engenheiro Agrônomo - USP/ESALQ
ARARIPE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA

PAULO ARARIPE
Engenheiro Agrônomo - USP/ESALQ
ARARIPE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA


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