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28/02/2020 - Soja

Coronavírus reduzirá consumo chinês de óleo e farelo no 1º e 2º trimestres de 2020


O surto de coronavírus deve reduzir o consumo chinês de óleo e farelo de soja, principalmente no primeiro e no segundo trimestres de 2020, avaliou o Rabobank, em estudo divulgado ontem (27/2). Entretanto, a menos que haja "uma escalada extrema" da epidemia, o consumo de ambos os produtos na China deve ter recuperação robusta no segundo semestre de 2020. O Rabobank destacou ainda que o ritmo de importação de soja norte-americana continuará lento nos próximos meses devido à demanda chinesa enfraquecida e à forte concorrência sul-americana. Segundo o banco, a compra menor do que a prevista de soja dos EUA pode reacender a guerra comercial durante a campanha eleitoral dos EUA.

"O surto de coronavírus, associado a longas ausências de trabalho, atrasos temporários em controles de transporte e logística e menor consumo, prejudicou a cadeia de suprimentos da indústria chinesa de esmagamento de soja", assinalou o Rabobank. O banco ponderou, contudo, que a situação parece estar melhorando no país, já que os principais processadores de oleaginosas estão novamente funcionando e aptos a operar com capacidade normal. Segundo o Rabobank, os impactos negativos da coronavírus na demanda pelos derivados de soja devem ser de curta duração.

No caso do óleo de soja, o setor de serviços de alimentação está sofrendo com o coronavírus, pois consumidores evitam jantar fora. "Assim, a demanda por óleo de soja por esse canal está diminuindo substancialmente. Por outro lado, o consumo das famílias é mais resiliente e até registra um crescimento positivo, devido ao aumento das refeições em casa e à "estocagem de pânico" de itens necessários para alimentação", apontou o Rabobank. 

Os serviços de alimentação representam 40% do consumo de óleo comestível, enquanto o uso em casa significa 30%. O restante vai para comidas processadas e outros usos industriais. A demanda em queda por óleo de soja pode continuar até o início do segundo trimestre, dependendo da disseminação do vírus e da confiança do consumidor. "Com exceção de qualquer escalada extrema da epidemia, o consumo de óleo de soja chinês deverá cair de 6% a 8% no primeiro semestre de 2020 ante igual período de 2019, seguido de uma recuperação no segundo semestre", disse o Rabobank.

Já com relação ao farelo, o Rabobank destacou que o avanço do coronavírus afetou severamente a criação de animais na China. Entre todas as espécies, as aves estão sendo mais atingidas no primeiro trimestre, principalmente os frangos de penas amarelas, como resultado do fechamento dos mercados de aves vivas. "Além disso, a disseminação do vírus também está prejudicando a reconstrução do rebanho suíno da China, embora o impacto da peste suína africana esteja diminuindo no país", apontou o banco. 

O banco prevê que o consumo de farelo de soja na China caia de 3% a 5% no primeiro semestre de 2020 contra igual período do ano passado, mas é esperada uma forte recuperação no segundo semestre. O impulso na segunda metade do ano virá dos altos preços da carne, da expansão da produção de frangos de penas brancas, do reabastecimento de rebanhos de suínos e da recuperação do mercado de refeições em grupo e serviços de alimentação.

Quanto à soja em grão, a demanda fraca por óleo e farelo de soja, a recuperação lenta dos impactos da febre suína africana e a disseminação do coronavírus estão "deprimindo" a necessidade chinesa de importação de soja. O Rabobank prevê que as compras chinesas de soja do exterior em 2019/20 alcançarão entre 86 milhões e 87 milhões de toneladas, ante 82,6 milhões de toneladas em 2018/19. 

O banco ressaltou que, a partir de 2 de março, esmagadores chineses poderão importar soja norte-americana com isenção de tarifas depois que seus pedidos forem aprovados pelo governo, mas lembrou que Pequim enfatizou que a compra de soja nos EUA será orientada por condições de mercado e comerciais. "Atualmente, o Brasil está colhendo sua soja, e os preços Custo e Frete (CNF) da soja brasileira entregue à China ainda estão US$ 10/tonelada menores do que no Golfo dos EUA. Traders privados e esmagadores chineses têm pouco incentivo para fazer uma grande compra de soja nos EUA."

O banco salientou ainda que a participação dos EUA nas importações chinesas de soja aumentou recentemente, mas ainda está abaixo da tendência histórica e do que seria necessário para cumprir o acordo comercial de fase 1 sino-americano. "Mesmo considerando as iniciativas estatais de compra do governo chinês, como aconteceu em 2019, será um desafio a participação dos EUA exceder 25% durante o segundo e o terceiro trimestres de 2020", disse o Rabobank. 

Segundo as projeções iniciais do banco, a China comprará nos EUA de 22 milhões a 27 milhões de toneladas em 2019/20, mais que o dobro do volume de 2018/19 (10,4 milhões de toneladas), mas abaixo do observado no ciclo 2017/18 (28,7 milhões de toneladas). "As importações dos EUA registrarão um forte aumento em 2020/21, a partir do quarto trimestre de 2020, quando o consumo de ração chinês se recuperar e a nova safra norte-americana se tornar disponível. Mas permanece incerto se o governo Trump vai tolerar o ritmo lento das compras chinesas e reacenderá a guerra comercial durante a campanha presidencial", disse o banco.

Por Leticia Pakulski
Fonte: Broadcast Agro




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