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30/03/2020 - Mercado

Com pandemia, indiana UPL revê planos, mas Brasil ainda é aposta


A gigante indiana de agroquímicos UPL revisou seus planos de crescimento no País em virtude da pandemia do coronavírus. Até março, a expectativa era de aumento de 15% em receita no ano fiscal que começa em 1.º de abril. “Temos eficiência geográfica e produtos, mas o coronavírus muda a perspectiva”, diz Fábio Torreta, presidente da empresa no Brasil.

A expectativa agora é de incremento de 5% a 10%. Segundo o executivo, apesar de a agricultura ser o setor de maior resiliência à crise, alguns segmentos atendidos pela UPL podem enfrentar dificuldade. É o caso de hortifrutigranjeiros, que tendem a sofrer com eventual recessão, pois as vendas se concentram no mercado interno. Cana-de-açúcar, por sua vez, pode ter menor rentabilidade com a queda do petróleo. Por outro lado, Torreta vê um ano positivo para os setores de soja, milho e algodão, que vão exportar mais com dólar forte. “Os mercados de exportação do Brasil vão nos assegurar crescimento."

Escalada
No ano fiscal que se encerra este mês, o primeiro desde a fusão da UPL com a Arysta, o faturamento no Brasil cresceu 17%, com a aposta na combinação de produtos químicos e biológicos para controle de pragas e doenças. Nesses dois segmentos, há lançamentos previstos para os próximos dois anos. A empresa projeta alcançar a marca de US$ 1,5 bilhão em receita no Brasil em 2021. No último ano, a UPL foi da quinta para a quarta posição no mercado brasileiro de defensivos e pretende chegar à terceira dentro de um ano. O Brasil representa 30% dos negócios da empresa no mundo. 

Quebra-cabeça
Uma pedra no caminho é o câmbio. A alta do dólar impulsiona os preços de agroquímicos, que têm até 80% de componentes importados. Com a moeda norte-americana subindo de R$ 4 no começo do ano para R$ 5 agora, o preço desses insumos avançou, em média, 25% no País. Contudo, o impacto para o produtor é menor, segundo Torreta. É que os canais de distribuição, como cooperativas e revendas, têm amplo estoque, formado quando os produtos estavam mais baratos.

Puxa daqui...
A fabricante de fertilizantes Mosaic considera aumentar a importação de matérias-primas de suas operações dos Estados Unidos e do Canadá para compensar a paralisação de minas no Brasil e no Peru, por causa da Covid-19. Vai depender do apetite dos clientes por adubo. Na semana passada, a empresa anunciou a interrupção dos trabalhos nas minas de fosfato de Miski Mayo, no Peru, e de Patrocínio (MG), atendendo a determinações de governos locais. 

...cobre ali.
A mina do Peru, a Mosaic importa rocha destinada a outros clientes da companhia. Já a de Patrocínio fornece 22% de todo o minério produzido pela Mosaic no Brasil. A matéria-prima é beneficiada em Araxá (MG) e levada a outras unidades para entrar na formulação de fertilizantes, nutrição animal e outros produtos. Segundo a Mosaic, não é possível elevar a produção em outras plantas para compensar o corte das duas minas, pois todas já operam em sua capacidade máxima.

Pela rede
Por causa das medidas de isolamento para conter o coronavírus, a startup Bart Digital antecipou o lançamento de uma ferramenta de emissão de títulos eletrônicos, assinatura digital e envio para registro. O plano inicial era lançar a Ativus depois de julho. “Na quarentena, boa parte dos produtores foi para a fazenda”, diz Mariana Bonora, CEO da Bart Digital. Com a ferramenta, produtores e revendas de insumos poderão dar sequência a pedidos de crédito pela internet.

Drible
A Ativus deve permitir a boa parte dos agricultores driblar o fechamento dos cartórios pelo País. Bonora estima que 40% dos cartórios estão “minimamente” familiarizados com registros eletrônicos e operando remotamente. Os que ainda trabalham apenas com processos físicos têm buscado adotar ferramentas digitais. A Ativus foi liberada há uma semana com isenção de assinatura e descontos por título. A procura, diz Bonora, foi cinco vezes maior do que a esperada para o período de testes, de fevereiro a julho. “Havia uma demanda reprimida. Quem tinha dúvidas sobre processos digitais está aproveitando agora”, conta ela.

Campo digital
A empresa de tecnologia Totvs quer crescer no segmento de soluções para multicultivo, principalmente soja, milho e algodão. Por ora, a ideia é aumentar a atuação com o médio produtor. “Precisamos expandir a presença em São Paulo”, diz à coluna Angela Gheller, diretora de Manufatura, Logística e Agroindústria. 

Mais além
A empresa também vê oportunidades na integração entre os dados de máquinas agrícolas e o software de gestão das propriedades. Já fechou parceria com a John Deere e mira também empresas de drones. O agronegócio está entre os três principais setores atendidos pela Totvs, dos 11 em que a empresa atua. “O cliente de agro quer tecnologia e inovações”, diz a executiva. 

Por Letícia Pakulski e Clarice Couto
Fonte: Coluna Broadcast Agro/O Estado de S.Paulo




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