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19/07/2019 - Tecnologia

Agronegócio: empresas utilizam tecnologia e inovação na gestão da produção animal


O segmento do agronegócio, que corresponde a pouco mais de 20% do PIB nacional, tem recebido importantes transformações tecnológicas nos últimos anos. Os dados de um levantamento feito pela Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP) comprovam isso.

Segundo o estudo, 67% das propriedades agrícolas brasileiras fizeram a adoção de alguma inovação, dentro ou fora do campo. Entre essas tecnologias estão ferramentas e softwares para controle da gestão da produção animal e também a automatização de processos que envolvem documentação.

Santa Catarina tem destaque internacional quando o assunto é agronegócio, principalmente na produção de ostras, mel, maçã, e carnes de frango e suínos, segundo dados da Síntese da Agropecuária de SC, apresentados pela Secretaria de Estado da Agricultura e Epagri.

Entendendo que a suinocultura catarinense representa quase 60% das exportações nacionais de carne suína, duas empresas catarinenses decidiram investir e mostrar que a inovação não é mais um diferencial, mas sim uma obrigação para se manter sustentável, melhorar o manejo e aumentar a produtividade.

Uma oportunidade para empreender
Em 1999, o analista de sistemas Everton Gubert identificou que os produtores de suínos no Estado não tinham uma ferramenta de gestão da produção adequada. O CEO da Agriness lembra que muitos desses controles eram feitos de forma muito rudimentar, através de anotações em cadernos, e isso serviu de inspiração para desenvolver um software para automatizar a gestão.

— Com isso foi possível iniciar uma transformação digital na produção animal e na forma de se fazer gestão no campo — explica Gubert que junto com a sócia Cristina Gonçalves Bittencourt fundaram a empresa em abril de 2001, em Florianópolis.

A tecnologia desenvolvida pela Agriness é capaz de rastrear todos os animais da granja e acompanhar o crescimento e o desempenho deles desde o nascimento. O CEO explica ainda que a tecnologia fornece análises e otimizações na produção que são capazes de melhorar a produtividade e o bem-estar animal.

— O Agriness S2 foi o primeiro produto criado para ajudar no gerenciamento das granjas. Com o passar do tempo, foram criadas outras soluções para a suinocultura, que contemplam o gerenciamento de diferentes tipos de produção como granjas multiplicadoras, granjas de quarto sítio e centrais de inseminação — destaca Gubert.

Atualmente a empresa atua na terceira geração de solução através da plataforma Agriness, o que possibilitou ampliar o portfólio da gestão para outras espécies animais, como aves e bovinocultura de leite.

Obstáculos para crescer
Gubert conta que hoje, pouco mais de 90% do plantel de suínos do Brasil são gerenciados pela Agriness, a sua grande maioria no Sul do país, onde se concentra a maior parte das granjas brasileiras. A empresa também possui clientes no Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia, Bolívia, Equador, México e Polônia.

No entanto, para chegar nesse patamar de internacionalização, foi preciso enfrentar alguns desafios ao longo do crescimento, como a contratação, gestão de pessoas e os próprios processos da empresa. Gubert comenta ainda que quando começaram os processos para internacionalizar o produto havia poucas empresas que exportavam tecnologia do Brasil e não se sabia muito bem como fazer isso. Outro desafio foi a criar uma empresa sustentável e inovadora que conseguisse inovar constantemente para se manter firme no mercado.

— Não é fácil empreender no Brasil e começar um negócio do zero, sem apoio financeiro, por exemplo. Mas todos os desafios foram superados com muito empenho e dedicação total ao negócio. E para cada situação foi buscada ajuda com parceiros, clientes, através de cursos e capacitações, junto com o empenho dos 72 colaboradores — ressalta Gubert que acrescenta ainda que é fundamental a empresa ter em seu DNA a cultura da inovação para não perder competitividade com o tempo.

Gubert compartilha que para um negócio dar certo é preciso ter clareza do propósito dele. Se isso estiver claro, segundo ele, vale a pena se dedicar, seguir em frente e fazer acontecer.

Tecnologia para melhorar a produção
Instalada no parque tecnológico Parqtec Alfa, no centro empresarial de tecnologia Alfama, em Florianópolis, a Granter usa a tecnologia para melhorar a produção. De acordo com o CEO da empresa, Clóvis Rossi, atualmente a agroindústria faz gestão da produção baseada em dados que estão apenas nas propriedades e, quase sempre, em papel. Estes dados são levados para a indústria de tempos em tempos, fazendo com que a gestão seja feita sobre aquilo que já se passou e não, sobre o que está acontecendo agora.

Para minimizar a consequência dessa defasagem de tempo, a indústria utiliza as visitas de extensionistas, que prestam assistência técnica aos produtores, mas que também só tem a visão do que está acontecendo ao chegarem à propriedade.

— O que estamos fazendo é usar a tecnologia para reduzir ao máximo o intervalo de tempo entre a informação de algo que tenha acontecido na propriedade até a pessoa interessada nisso, permitindo uma tomada de decisão mais ágil e com resultados mais efetivos — explica Rossi.

Um exemplo que pode ilustrar isso é a criação de suínos. Caso ocorra algum problema sanitário ou doença que esteja causando a morte de animais, o sistema detecta a anomalia com base nos registros do produtor e alerta o extensionista. Este, por sua vez, já pode analisar as possíveis causas e, se necessário, visitar a propriedade e executar a ação necessária.

— Com o mesmo conceito, atuamos diretamente na gestão do consumo de ração, que representa de 70% a 75% de todo o custo do processo produtivo. E ao ter esses dados em menor tempo, é possível tomar ações mais efetivas, gerando economia real de dinheiro e recursos ambientais para o proprietário — destaca Rossi, que acrescenta ainda que essa é também uma forma de inclusão, pois faz uma junção da experiência do homem do campo com as possibilidades trazidas pela tecnologia.

Soluções desenvolvidas para isso
A empresa fundada por Clóvis, Fernando Marino Nascimento e Samuel Walter Gauer, em 2003, teve uma mudança de nome e também uma reestruturação na diretoria, com a saída dos sócios-fundadores em 2017. Desde então, a Granter é gerida pelo CEO da empresa e por Luiz Dionísio Pedrini.

Com 20 colaboradores, a empresa oferece duas soluções para quem trabalha no agronegócio. O R-Sui é uma plataforma de rastreabilidade sanitária que atua para garantir que os protocolos de seguridade alimentar sejam cumpridos nos processos de exportação de carne de suíno e seus derivados. Durante o processo produtivo dos animais e da industrialização dos produtos cárneos, a agroindústria insere na plataforma R-SUI dados com uso de medicamentos, rações consumidas, locais de criação dos animais, dia de abate e produtos gerados, forma e informações de expedição, entre outros.

— Com base nesses dados o R-Sui verifica se os produtos atendem as exigências do mercado ao qual o produto se destina e, estando em conformidade, expede os documentos necessários à obtenção do Certificado Sanitário Internacional (CSI) que habilita a exportação do produto — explica Rossi.

Desde que foi implantada, em 2011, já foram rastreados mais de 10 milhões de animais.

A outra solução desenvolvida pela empresa é o Meu Lote, que de acordo com Clóvis é utilizada para a gestão de lotes de suínos, a fim de facilitar a interação e a troca de informações entre produtores, extensionistas responsáveis pela assistência técnica, e gestores da suinocultura.

Nas propriedades de criação e engorda de suínos os produtores têm acesso a um aplicativo no celular que o auxilia durante todo o processo. É neste aplicativo que ele faz os lançamentos de todos os indicadores e eventos do processo de criação como: consumo de ração, mortalidade de animais, uso de medicamentos, entre outros. E as informações obtidas servem para entender e padronizar os processos — explica Rossi.

Com essa comunicação em tempo real, é possível melhor o tempo de resposta e a eficácia das ações, gerando resultados financeiros para o produtor e também para a agroindústria.

Inovar no agronegócio é desafiador
Clóvis comenta que ao longo dos anos foram superados diversos desafios para se manter firme e fazer o negócio dar certo. E segundo ele, o agronegócio é tradicional e tem outro ritmo em relação às transformações.

— Não só no que se refere à velocidade de validação das ideias e hipóteses como também pela característica dos produtores, gestores e demais atores da cadeia do agronegócio, que valorizam muito as relações pessoais e a confiança, antes da tomada de decisão. E inovar no agronegócio se apresenta ainda mais desafiador — completa

Fonte: G1




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